A tornozeleira eletrônica tornou-se um dos principais instrumentos utilizados pelo Poder Judiciário brasileiro para fiscalizar pessoas que cumprem pena fora do cárcere, estejam em prisão domiciliar, regime semiaberto, livramento condicional, saída temporária ou submetidas a medidas cautelares diversas da prisão.
Apesar de sua ampla utilização, ainda existem muitas dúvidas sobre as responsabilidades do monitorado, especialmente quando ocorre a descarga da bateria do equipamento.
Uma das perguntas mais frequentes é: o que acontece se a tornozeleira eletrônica descarregar?
A resposta não é simples e exige atenção.
O descarregamento da tornozeleira pode gerar consequências graves, que vão muito além de advertências administrativas. Dependendo do caso, pode resultar em reconhecimento de falta grave, regressão de regime, perda de benefícios e até expedição de mandado de prisão.
A legislação penal e a jurisprudência brasileira atribuem ao monitorado o dever de zelar pelo funcionamento adequado do equipamento.
O descuido, ainda que involuntário, pode ser interpretado como descumprimento das condições impostas judicialmente. Por isso, compreender como funciona o sistema de monitoramento eletrônico e saber como agir diante de falhas é essencial para preservar a liberdade.
Neste artigo, você entenderá quais são as responsabilidades legais do monitorado, como a Justiça interpreta a tornozeleira descarregada, quais providências devem ser tomadas em caso de falha técnica, os riscos jurídicos envolvidos e como um advogado criminalista pode atuar para proteger seus direitos.
Sumário
- Introdução
- 1. O que acontece se a tornozeleira eletrônica descarregar?
- 2. Como saber se a tornozeleira está descarregando?
- 3. O que fazer se a tornozeleira não estiver carregando?
- 4. O que acontece se a bateria ficar muito tempo descarregada?
- 5. Como funciona a apuração de falta grave e a defesa na execução penal
- 6. Como um advogado criminalista pode ajudar
- Conclusão
- Fale com o Giacaglia Advogados Associados
Saiba como lutar por seu direito neste guia definitivo, elaborado pela Dra. Bruna Queiroz, especialista em Direito Penal, advogada e sócia do escritório Giacaglia Advogados!
O Que Acontece Se a Tornozeleira Eletrônica Descarregar?
A tornozeleira eletrônica é um meio de fiscalização contínua, quando a bateria descarrega, o sistema perde a comunicação com a central de monitoramento, impedindo o acompanhamento da localização e do cumprimento das condições impostas pelo juízo.
Para o Judiciário, essa interrupção pode significar risco à execução da medida.
O entendimento predominante é que o monitorado possui responsabilidade objetiva sobre o funcionamento da tornozeleira.
Isso significa que, independentemente de dolo ou intenção, ele deve manter o equipamento carregado e comunicar qualquer anormalidade imediatamente.
A simples falta de carga pode ser interpretada como descumprimento das condições judiciais, abrindo espaço para sanções.
Em muitos casos, a tornozeleira descarregada é considerada uma violação da medida cautelar ou do benefício concedido.
Dependendo do tempo em que o equipamento permaneceu sem sinal e da conduta do monitorado, o juiz pode entender que houve tentativa de burlar a fiscalização. Esse entendimento pode levar à instauração de procedimento para apuração de falta grave.
A falta grave, nos termos da Lei de Execução Penal, pode gerar consequências severas, como a regressão de regime, a revogação de benefícios e o atraso na progressão da pena.
Em situações mais extremas, pode resultar na decretação de prisão preventiva ou na expedição de mandado de prisão.
Como Saber Se a Tornozeleira Está Descarregando?
A tornozeleira eletrônica possui mecanismos de alerta que indicam o nível de bateria, saber identificar esses sinais é fundamental para evitar problemas jurídicos. O primeiro sinal costuma ser sonoro ou vibratório.
Quando a carga está baixa, o equipamento emite alertas repetidos, indicando a necessidade imediata de carregamento.
Outro sinal comum são as luzes indicadoras de LED, em geral, a luz verde indica bateria carregada, a amarela sinaliza carga intermediária e a vermelha aponta bateria baixa. Ignorar esses sinais pode ser interpretado como negligência, especialmente se a bateria chegar a zerar.
Em alguns sistemas, há também notificação por aplicativo ou contato direto da central de monitoramento. Nessas hipóteses, o monitorado pode receber mensagens ou ligações informando a necessidade de recarregar o equipamento.
Desconsiderar esses avisos reforça a interpretação de descumprimento das obrigações impostas judicialmente.
O Que Fazer Se a Tornozeleira Não Estiver Carregando?
Se a tornozeleira eletrônica apresentar falhas no carregamento, a reação do monitorado deve ser imediata.
O primeiro passo é verificar a fonte de energia e confirmar se o carregador está corretamente conectado, sempre utilizando o equipamento original fornecido pelo órgão responsável.
Caso o problema persista, é recomendável testar outra tomada para descartar falha elétrica. Persistindo a dificuldade, a medida mais importante é comunicar imediatamente a central de monitoramento. Essa comunicação deve ser registrada, preferencialmente por meio de protocolo, ligação gravada ou mensagem oficial.
A omissão é extremamente prejudicial, mesmo que a falha seja técnica, a falta de comunicação pode ser interpretada como descumprimento doloso.
Demonstrar boa-fé é essencial para evitar sanções. Em situações mais complexas, a atuação de um advogado criminalista é fundamental, pois ele pode requerer judicialmente a substituição do equipamento ou o reconhecimento da falha técnica como caso fortuito ou força maior.
O Que Acontece Se a Bateria Ficar Muito Tempo Descarregada?
Quando a tornozeleira permanece descarregada por período prolongado, as consequências tendem a ser mais graves.
A ausência de sinal impede o monitoramento e, na prática, pode ser interpretada como tentativa de fuga ou quebra deliberada da medida.
Uma das primeiras consequências possíveis é o reconhecimento de quebra da medida cautelar ou do benefício concedido.
A Justiça pode entender que houve desobediência às condições impostas, caracterizando falta grave, esse enquadramento encontra respaldo no art. 118, inciso I, da Lei de Execução Penal, que autoriza a regressão de regime em caso de prática de falta grave.
A regressão de regime é uma das penalidades mais severas, um apenado que estava no regime semiaberto ou em prisão domiciliar pode ser transferido para o regime fechado, perdendo consideravelmente sua liberdade.
Além disso, a regressão impacta diretamente o cálculo para progressão futura, prolongando o tempo de cumprimento da pena.
Outra consequência possível é a expedição de mandado de prisão, diante da ausência prolongada de sinal e da falta de justificativa imediata, o juiz pode entender que há risco de fuga ou ocultação, decretando a prisão preventiva com base no art. 312 do Código de Processo Penal.
Além disso, a falha pode resultar na perda de benefícios penais, como progressão de regime, livramento condicional e saídas temporárias.
A anotação de falta no prontuário penal dificulta futuras análises favoráveis e pode comprometer toda a estratégia defensiva construída ao longo da execução penal.
É importante destacar que, mesmo diante de falhas técnicas, quedas de energia ou defeitos no carregador, a responsabilidade pela comunicação é sempre do monitorado.
A Justiça espera que qualquer irregularidade seja informada imediatamente, com demonstração de diligência e boa-fé.
Como Funciona a Defesa em Caso de Falta Grave?
Quando há suspeita de descumprimento das condições da monitoração eletrônica, pode ser instaurado procedimento administrativo ou judicial para apuração de falta grave.
Nesse processo, o monitorado tem direito ao contraditório e à ampla defesa.
A defesa técnica busca demonstrar a inexistência de dolo, a ocorrência de falha técnica, a comunicação tempestiva com a central de monitoramento e a ausência de prejuízo efetivo à fiscalização.
Provas documentais, registros de ligações, mensagens, laudos técnicos e testemunhos podem ser decisivos para afastar a penalidade.
Em muitos casos, a atuação rápida e estratégica do advogado impede a regressão de regime ou a decretação de prisão. A jurisprudência reconhece que falhas técnicas, quando devidamente comprovadas, não podem ser automaticamente equiparadas a falta grave.
Como Um Advogado Criminalista Pode Ajudar?
A atuação de um advogado criminalista especializado é essencial em situações envolvendo tornozeleira eletrônica. O profissional orienta preventivamente sobre o uso correto do equipamento e as condutas esperadas pelo Judiciário.
Em casos de falha, o advogado pode requerer a substituição da tornozeleira, demonstrar a boa-fé do monitorado, afastar a caracterização de dolo e atuar na defesa em procedimentos de apuração de falta grave. Além disso, acompanha audiências de justificação e apresenta recursos cabíveis para preservar direitos e benefícios.
A ausência de orientação jurídica pode resultar em prejuízos irreversíveis, como a perda da liberdade e o agravamento da situação processual. Por isso, qualquer intercorrência no uso da tornozeleira deve ser tratada com máxima seriedade.
Conclusão
O descarregamento da tornozeleira eletrônica não é um detalhe irrelevante.
Trata-se de situação que pode gerar consequências severas na execução penal, incluindo falta grave, regressão de regime, perda de benefícios e prisão. A responsabilidade pelo funcionamento do equipamento é do monitorado, e a comunicação imediata de falhas é indispensável.
Conhecer as regras, identificar os sinais de alerta e agir rapidamente são medidas fundamentais para proteger a liberdade. Em situações de risco, a atuação de um advogado criminalista experiente é decisiva para evitar penalidades injustas e preservar direitos.
Se você ou um familiar enfrenta problemas relacionados ao uso de tornozeleira eletrônica, não espere que a situação se agrave.
O escritório Giacaglia Advogados Associados atua de forma estratégica e especializada em Direito Penal e Execução Penal, oferecendo defesa técnica, rápida e eficiente para proteger sua liberdade e seus direitos.
Entre em contato e tenha orientação jurídica segura desde o primeiro momento.